sábado, 30 de janeiro de 2010

179ª - O Cachorro Rude


Inimicum, quamvis humilem, docti est metuere
Todo inimigo se há de temer



Bom sábado a todos! A fábula de hoje nos conta sobre a notoriedade e suas mazelas. BOA LEITURA e até mais...


179ª - O Cachorro Rude

Um Cachorro costumava correr silenciosamente para cima dos saltos de sapatos das pessoas que encontrava, mordendo-as sem qualquer aviso. O seu patrão então lhe amarrou um sino no pescoço para que ele pudesse avisar previamente onde quer que esteja e fixou uma pesada corrente também no seu pescoço onde prendeu um peso, de forma que ele não pudesse ser tão rápido a morder os saltos dos sapatos das pessoas.
O Cachorro cresceu orgulhoso do seu sino e da presilha, indo com eles à feira. Um velho cão de caça disse-lhe: "Por que faz tal exibição? Este sino e o peso que você carrega não são ordens de mérito, acredite-me, mas ao contrário, são marcas da desgraça, uma notificação pública para que todos os homens o evitem, pois você é um cachorro rude".

Moral:

"Quem alcança notoriedade freqüente, engana-se achando isto ser fama".

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

178ª - O Louco que Vendia Sabedoria - A Evolução

Dum quid nescitur, quaerere quemque decet
Ninguém se enveruegonhe de perguntar o que não sabe


Bom dia caro(a) leitor(a). A fábula de hoje - esopiana certamente - pode ser transcrita aos dias atuais, sem margem de erros. Somos submetidos aos desígnios dos tresloucados a todo instante e não os contradizemos por receio das represálias. Ou seria comodismo?

A prosa de hoje, freia as viagens ao passado onde ESSES OLHOS VIRAM..., e reflete sobre o caminho futuro, onde ESSES OLHOS VERIAM...

...A espécie humana em harmonia entre os semelhantes e com o meio em que vive. Aprazem-me demais, momentos de introspecção quando tento racionalizar de onde viemos e para onde vamos. Os sábios antropológicos já traçaram, - a partir de Darwin – todo mapa ‘in-volutivo’ da raça, isto é, de volta ao passado, mas, ninguém ousou tracejar a rota do futuro, ou, como viremos ser.

De simples células amebianas, vindas de um caldo amniótico incrível, já chegamos ao ponto de poder ver o Universo e raciocinar sobre questões intrigantes. A lição que parece ser única é a de que nada alteraria o destino já traçado desta espécie única, a não ser sua própria autodestruição. Disse Carl Sagan, citado na fábula ‘O Astrônomo’: “... viemos do pó das estrelas e voltaremos a ele”.

Refletir faz bem.

178ª - O Louco que vendia Sabedoria

Um louco se colocou certa vez numa feira e com altos brados anunciava que venderia Sabedoria. As pessoas se aglomeraram imediatamente ao seu redor e alguns lhe deram ouro para adquirir suas promessas. Mas, a cada compra, havia só um sussurro no ouvido do comprador e colocado ali um chumaço de linha, ambos bem recebidos e com sorrisos pelos clientes. Porém, um deles levou isto mais a sério que os demais e perguntou a uma anciã sábia o que significava aquilo. "Significa," disse a velhinha "que se as pessoas não quereriam ser machucadas pelo Louco, daí, elas têm que pôr o chumaço de linha em cima da sua orelha”. Assim o Louco realmente estava vendendo Sabedoria.














quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

177ª - O Leão e a Raposa - Poema 'A Casa'


Levius laedit, quicquid praevidimus ante
Homem prevenido vale por dois


Bom dia amigo leitor! A fábula de hoje, um tanto trágica por envolver criança como objeto de disputa entre feras, deve ser lida com a arte de transposição. Fica para cada um interpretar a mensagem.

Como prometido, na prosa de hoje, trouxemos a poesia original de J L Peixoto que serviu para minha transcrição de ontem. Uma pérola de poema. Curtição plena.

A Casa

eu conhecia a distância entre as paredes. caminhei muitas
vezes pelo corredor. a sala: o sofá grande, a janela fechada
para a rua, o quadro bonito e antigo: a sala: estas palavras e
este verso podiam ser o corredor se as palavras fossem
a tinta nas paredes: a cozinha: a mãe a contar-me
histórias, a mesa, a água que lavava os talheres, o lume do
fogão. a cozinha era onde estávamos felizes.
quero que a casa fique desenhada:
quarto, escada , despensa, sala,
casa de banho, corredor corredor,
cozinha cozinha, escritório.
depois, subia as escadas:
despensa, quarto, quarto,
despensa, corredor, casa de banho,
despensa, escadas, quarto.
depois, descia as escadas.
eu, na cozinha, chamava a minha mãe. a minha voz: mãe.
a minha mãe respondia-me: estou aqui. e estava num dos
quartos de cima. eu subia as escadas para a encontrar.
de manhã, eu acordava e descia as escadas.
sem que eu soubesse, os anos passavam na casa. sem que eu
soubesse, a minha mãe e o meu pai envelheciam. a casa era
toda de claridade e eu não sabia que iria envelhecer assim que
saísse de casa.
havia janelas e havia portas. eu subia para cima de cadeiras
para abrir as janelas. da janela do meu quarto, via o mundo.
sei hoje que poderia ter vivido sem mais mundo do que esse.
sei hoje que transformei o mundo todo nessa casa. chamo a minha
mãe. está num dos quartos de cima. está muito longe. chamo o meu
pai. está muito longe.

j l peixoto



177ª - O Leão. o Urso e a Raposa

Um Leão e um Urso agarraram uma Criança ao mesmo momento e lutaram ferozmente entre si por sua posse. Quando já tinham covardemente dilacerado um ao outro e cansados do longo combate, caíram exaustos com tanta fadiga. Uma Raposa que tinha ido até eles várias vezes, mantendo uma distância segura, viu ambos esticados no chão, com a Criança intacta no meio, correu entre eles, e agarrando-a, pulou fora tão rápido quanto podia. O Leão e o Urso a viram, mas não puderam se levantar, disseram: “Aflição a nossa, deveríamos ter lutado e decidido entre nós mesmos, sem servir uma Raposa!".

Moral:

"Às vezes acontece alguém ter todo o trabalho e outro, todo o ganho!".

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

176ª - O Leão e o Lobo - prosa 'Minha Casa'


Caeca est in propriis rabulae sententia causis

Ninguém é bom juiz em cau
sa própria



Excelente dia amigos. A fábula de hoje nos fala da presunção e ainda mais, nossa prepotência baseado nela. O resultado não poderia ser pior. BOA LEITURA!

Como o poema de J L PEIXOTO, este artista português inigualável, todos temos visões da casa paterna. Ele consegue universalizar com suas palavras, os ‘leviatãs mansos’ de nossos sonhos replicantes.

A arquitetura das casas - de cada um - é diferente, mas o conteúdo psíquico é o mesmo em toda ela. Belo divagar, aproveitem... É uma prosa onde com a devida vênia, adaptarei a construção da minha casa com os versos originais, os quais editarei amanhã. ESSES OLHOS VIRAM...



...A Minha Casa

eu conheço a distância entre as paredes. caminhei muitas

vezes por ela: a varanda; a mesa grande, a janela aberta.

para o pátio, a cristaleira: a varanda: estas palavras e

este verso podiam ser o corredor se as palavras fossem

a tinta nas paredes: a cozinha: a mãe a cozinhar

eternamente, a mesa, a água que lavava os talheres, o fogo do

fogão. a cozinha era onde estávamos felizes.

quero que a casa fique desenhada:

quartinho, escada , despensa, três quartos,

casa de banho, corredor,

cozinha, porão.

depois, subindo a escada:

despensa, corredor, mais três quartos,

depois, descia a escada.

nós, na cozinha, chamávamos nossa mãe. nossa voz: mãe.

a mãe respondia-nos: estou aqui. e estava num dos

quartos de cima. eu subia a escada para a encontrar.

de manhã, eu acordava e descia a escada.

sem que eu soubesse, os anos passavam na casa. sem que eu

soubesse, a minha mãe e o meu pai envelheciam. a casa era

toda de claridade e eu não sabia que eu e ela

iríamos envelhecer assim que eu saísse dela..

há janelas e portas. eu subia para cima de cadeiras

para abrir as janelas. da janela do meu quarto, via o mundo.

sei hoje que poderia ter vivido sem mais mundo do que esse.

sei hoje que transformei o mundo todo nessa casa. chamo a minha

mãe. está num dos quartos de cima. está muito longe. chamo o meu

pai. está muito longe. A casa está vetusta, pedindo descanso.


176ª - O Leão e o Lobo


Um Lobo enquanto vagava pelo lado da montanha, viu sua própria sombra e como o sol estava baixando, ela tornava-se muito alongada, aumentando muito o tamanho real e ele disse a si próprio: "Por que devo ter medo do Leão, se tenho tal tamanho imenso e que se estende por quase um acre em comprimento? Devo ser reconhecido como o verdadeiro Rei de todas as feras" Enquanto ele estava se distraindo com estes pensamentos orgulhosos, um Leão caiu sobre ele, matando-o. Ele exclamou com um arrependimento muito tardio: "Miserável que sou. Minha autoestima exagerada foi causa de minha destruição". .


Moral:


“Não é sábio ter uma opinião exagerada de seu próprio ego!”.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

175ª - O Leão e o Javali - O Colégio 5/5


Hodie mihi, cras tibi

Hoje por mim, amanhã por ti


Bom dia amigos. A fábula de hoje aborda a visão de quando inimigos se aliam em prol de suas próprias sobrevivências. Compete aqui observar que o senso comum é quem determina a ação. Sempre haverão os que levam vantagens dos conflitos alheios. Lição a ser aprendida.

A prosa de hoje, conclui nosso périplo pelas memórias escolares. ESSES OLHOS VIRAM...


...como era o ensino nas décadas de 50 e 60, nos colégios religiosos. Os abnegados o faziam como missão sagrada, não medindo sacrifícios. Os seguidores de Maquiavel lançavam negras nuvens do obscurantismo medieval sobre o saber. Mas, todos tinham algo em comum: o nome onomástico. Quando no dia da homenagem ao santo do nome escolhido – geralmente um mártir -, revestiam-se apostolicamente com uma aura de mistério. Acho que o nome de batismo, nunca revelado, nem mesmo aos alunos mais amigos, funcionava como senha secreta, abrindo suas lembranças da casa paterna, dos genitores e irmãos, da forma de viver no interior. Afastados, talvez sem opção de escolha, para uma vida de celibato, mas às voltas com 45 ou 50 ‘pestes’ provindos dos mais recônditos lares, com as mais variadas formas de civilidade, só os fortes resistiriam.

Com o tempo, a congregação sempre atenta, adquiriu uma gleba magnífica, uma chácara onde se fizeram campos de futebol e piscinas, para os piqueniques anuais. Os alunos voluntários – e muitos – iam durante as folgas ajudarem a escavar ou aplainar o terreno. Trabalho infantil? Que nada, auto-estima valorizada.

Uma época que se esvaiu, uma lembrança de desafios vencidos, flutuando pela memória como um espírito que releva - no sentido de conceder perdão ou desculpar -, os dramas e conflitos vividos, tão grandes quanto um pré-adolescente desmilinguido. Trois saluts pour Saint Jean-Baptista de La Salle! Salut! Salut! Salut!


175ª - O Leão e o Javali

Num dia de verão escaldante, o calor induziu que um Leão e um Javali, fossem matar a sede no mesmo instante em um pequeno poço. Eles disputaram ferozmente quem deles deveria beber primeiro e logo ficou claro que haveria as agonias de um combate mortal.

Nas suas proposições de brigar, os rosnados e urros tiravam seus fôlegos e no momento mais feroz da discussão, eles viram ao longe alguns Urubus que esperavam se banquetear com quem caísse primeiro. Imediatamente interromperam a disputa, dizendo:

"É melhor tornarmo-nos amigos, do que ser a comida de Corvos ou Urubus, como certamente acontecerá se formos abatidos".


Moral:


"Quem está em disputa é freqüentemente observado por alguém que tirará proveito de sua derrota em benefício próprio".



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

174ª - O Leão e o Asno - O Colégio 4/5


De caldaria in carbonariam pervenire

Fugir do fumo, cair nas brasas




Bom início de semana a todos. A fábula de hoje traz a velha lição das aparências tomando a forma da efetividade. Muito se consegue usando-as, mas convém recordar a facilidade do desmascaramento.
A prosa ESSES OLHOS VIRAM... segue contando:

...Alguns dos irmãos ficavam sisudos e circunspectos nas suas pesadas batinas. Outros, a rodarem as saias, cheios de trejeitos em disfarçados passos de dança, tal enrustidos ‘drags queens’, sentiam-se deslumbrados diante das platéias. Aprendíamos a analisar ‘caras e bocas’ de cada um, dimensionando o poder de resistência da vítima. Os ‘maneirosos’ tinham o calvário determinado já ao início do ano letivo. O caminhar sem ruídos pelos corredores com assoalho em madeira do último andar do colégio, rumo aos laboratórios ou salão de atos, era arte para poucos. Recordo um dos mestres tentando ensinar aos malandros como pisar, com os leves deslizares de suas sapatilhas, fazendo o menor estrépito possível. Uma aula de balé clássico para rinocerontes com tacões, mais propensos ao ‘flamenco catalão’ que ao Lago dos Cisnes. Com raríssimas exceções, os irmãos eram portadores de didáticas tateantes, vivendo um mundo tenebroso de ‘decorebas’ ou de línguas estrangeiras com forte sotaque alemão. Exames finais obrigatórios - escritos e orais, com pontos sorteados -, onde uma matéria reprovada, anularia sete ou oito outras aprovadas, completavam o clima de terror ao final do período. Ali, critérios de médias ponderadas, tão misteriosos quanto o enigma da pirâmide, fundamentavam os princípios básicos da nobre missão de educar.

TO BE CONTINUED

174ª - O Leão e o Asno

Um Leão e um Asno fizeram um acordo para sair caçar junto. Logo acharam uma caverna que servia de abrigo para as cabras selvagens. O Leão tomou posição de ataque à boca da caverna e o Asno, entrou nela, escoiceando e zurrando espalhafatosamente, para amedrontar e fazê-las sair. Quando o Leão as pegou, o Asno saiu e lhe perguntou se não havia feito uma bela ação. "Sim, realmente e eu lhe asseguro, você me amedrontaria também, se não soubesse ser um Asno".

Moral:

“As aparências enganam”.

sábado, 23 de janeiro de 2010

173ª - A Cotovia e sua Ninhada - O Colégio 3/5


Fide, sed cui, vide

Confia desconfiando

Bom sábado a todos e prenúncios de um ótimo fim de semana. A fábula de hoje nos ensina a decidir e tomar posição no momento certo, sem pressa. É receita do bem-viver. A prosa costumeira, continua com as peripécias dos tempos escolares. ESSES OLHOS VIRAM...


...A sineta, a capela, o salão de atos, o pátio e seus elementos lúdicos (barras paralelas e horizontais de ginástica e a quadra de areia), a biblioteca, a área coberta e a lanchonete, a secretaria, a sala de som de onde se emitiam os hinos e músicas nas solenidades. Eram todos elementos que completavam nosso universo. Recordo os pontos ganhos através de bônus e que seriam trocados por décimos a mais em alguma nota mais fraca. Estes pontos provinham de alguma missa assistida, valendo em dobro caso celebrada nas primeiras sextas-feiras do mês ou por tarefas executadas fora dos horários normais e convém lembrar que estudávamos manhã e tarde.

A cerimônia maior era ao fim de cada período escolar, com pompa e circunstância. Eram entregues medalhas aos melhores e certificados aos demais. Nunca abocanhei medalha por melhor média em alguma matéria, mas tenho várias pertinentes às freqüências. Raro o ano com uma falta. Esta eu fazia questão de ganhar, pois concorrer com os gênios protegidos, improvável qualquer chance. O piquenique anual da turma e as quermesses com finalidades arrecadadoras de fundos, eram pura diversão.


TO BE CONTINUED



173ª - A Cotovia e sua Ninhada


Uma Cotovia tinha feito o ninho na plantação de trigo, ainda verde. A ninhada estava quase crescida, quando o dono do campo, providenciando a sua colheita, disse: "Eu tenho que avisar a todos meus vizinhos para me ajudarem com minha colheita”. Uma das jovens Cotovias ouviu-o e perguntou para sua mãe para onde deveriam se locomover buscando segurança. "Ainda não há razão para se deslocar, meu filho," ela respondeu. O dono do campo veio alguns dias depois e disse: "Virei amanhã e iniciarei a colheita". Então a cotovia disse à sua ninhada: "É tempo de sair fora agora - ele já não confia nos seus amigos, mas colherá o campo sozinho".


Moral:


“A auto-ajuda é a melhor ajuda."



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

172ª - O Cordeiro e o Lobo - O Colégio 2/5

Amicitias immortales esse oportet
Amizade que pode envelhecer, não deve morrer


Bom dia a todos! A fábula de hoje, certamente mais uma adaptação dos seguidores de Esopo que com o passar dos séculos, vão adequando as mensagens de ética e moral aos costumes da época. Aqui a inocência entrega-se à amizade antes de devorada pela maldade. Seria uma escolha adequada ou melhor fugir das duas e preservar sua integridade? Bom pensar! A prosa de hoje, ESSES OLHOS VIRAM... segue contando


...Das Línguas Estrangeiras (Latim, Francês, Inglês) ao Canto Orfeônico, dos Trabalhos Manuais ao Desenho Técnico, das Histórias (do Brasil, Antiga, e Geral) às Matemáticas cada vez mais complexas, afora outras disciplinas, todas, passariam a ocupar cada instante de seu cérebro. .Lidar com a emissão de hormônios tal como chafarizes humanos, deve ter sido para estes abnegados educadores uma prova de fogo. Apesar de que - alguns por excesso e outros por falta - sob o celibato formal, deveriam também ter os níveis de testosterona desequilibrados. Os conflitos existenciais, os egos inflados, as birras com os alunos mais difíceis, geravam quase que diariamente, o desenho de uma batalha campal. Na época ginasial, não havia cumplicidade entre mestres e alunos. Era conflito geral. Os gritos, berros e safanões, uma constante. As manhas para aprontar confusões eram cuidadosamente estudadas, como táticas de guerrilha. Ora no fundo do laboratório de química, um frasco de ácido sulfídrico (fedor de ovos podres) derramado, interrompia a classe. Ora, uma explosão com bomba da ‘fossa negra’ do prédio, ora a expulsão invocada - e nunca cumprida - de verdadeiros mafiosos, criavam uma atmosfera felliniana. A maioria dos irmãos era de origem teuta - mais que germânicos – perdidos entre centenas de italianos dissimulados em’ brasileirinhos’. Os estados apoplécticos dos coitados, - quase um transe, tamanha indignação e irritação - nos divertiam sobremaneira. Alguns deles durante os combates, enrubesciam como páprica, outros gaguejavam a ponto de não entendermos o que diziam, expelindo perdigotos a metros de distância tamanha a ira, outros se vingando nas notas, sorrindo maquiavelicamente com olhinhos enviesados e um – o Fantasma - exercitava sua mira arremessando um pesado chaveiro tal um petardo a explodir na classe de um ‘arteiro’. Enfim, uma verdadeira ópera bufa. Já à época do Científico, os grupos se reuniam em animados colóquios entre os professores e os educandos.


TO BE CONTINUED


172ª - O Cordeiro e o Lobo


Um Lobo perseguiu um Cordeiro que lhe fugia, até o refúgio encontrado, certo templo. O Lobo chamou-o para si e disse: "O Padre o abaterá em sacrifício, se ele lhe pegar”. O Cordeiro respondeu: "Será melhor para eu ser sacrificado no Templo que ser morto por você”.


Moral:


"É mais seguro estar entre amigos que entre os inimigos".



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

171ª - Os Gaviões e os Cisnes - O Colégio 1/5

Dimidium facti, qui bene coepit habet
O bom começo já é a metade


Bom dia amigos do blog! A fábula de hoje é singela e simples, mas o conteúdo ético é profundo. Conta a força e ao mesmo tempo o custo de nosso imaginário. Administrá-lo é a lição. A prosa de hoje, é uma homenagem aos tempos passados no colégio e seus desdobramentos. Para não ficar maçante, peço imaginarem suas próprias épocas, com coragem de enfrentar os questionamentos que ali pareciam insondáveis. BOA LEITURA e até mais.

ESSES OLHOS VIRAM...

…Doze longos anos da vida em convívio diário com irmãos Lassalistas, gestores do colégio onde estudei, desde o ensino fundamental, até o Científico, passando pelo ginasial. Lá, as cinco primeiras séries tinham os ‘regentes de classe’ permanentes, tanto que eram espécies de tutores das turmas. Provindo de um colégio de freiras, onde na primeira série aprendi as letras com irmã Lambertina (Ivo viu a uva...), apenas conheci o Irmão Cirilo, regente da primeira série. Ingressando já na segunda série, com Irmão Domingos, vi os números e suas complexidades, mas ainda firme com a Seleta. Irmão Aleixo, cuidava dos terceiranistas. Irmão Ramiro (o Pequeno, pois havia Ramiro o Grande, prefeito do pátio) fazia a quarta série primária, preparando a Admissão. Irmão Romeu repetia quase toda matéria do ano anterior durante a quinta série, tanto que para o exame de admissão, vários colegas já o haviam prestado com absoluto sucesso, ao fim do quarto ano. O ginásio era o portal da inclusão ao mundo adulto. Com uniforme quase militar, quepe e escudo, você simplesmente admirava as estrelas sobre os ombros, em latão dourado, a indicar qual série você pertencia, pelo número delas ali a brilhar. As matérias agora eram com professores específicos e uma cordilheira de novidades iluminavam os caminhos. Irmãos Edmundo (o Gordo), Inácio (o Magro), Martinho, Ricardo (Manteiguinha), Gabriel, Evaristo (o Coninua - assim pronunciava a palavra 'continua...' -) -, Pedro, Bonifácio (Fantasma), Heriberto, Benildo (outro Coninua), Constâncio (o Chula), Fidel (da secretaria), além de professores leigos como: Basílio, Juvelino, Armando, Mário (Bacia), Jaime - e mais alguns esquecidos, mas todos grandes sujeitos –, nos acompanhariam por mais sete anos, até a maioridade, ajudando ou não na formação da personalidade de cada um.

TO BE CONTINUED


171ª - OS Gaviões e os Cisnes

Os gaviões de muito antigamente tiveram, igualmente como os cisnes, o dom da canção. Mas tendo ouvido o relinchar dos cavalos, ficaram tão encantadas com o som que tentaram imitá-lo; e tentando relinchar, esqueceram o seu canto.

Moral:

"O desejo de benefícios imaginários envolve freqüentemente a perda de bênçãos presentes".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

170ª - O Filho do Rei e o Leão Pintado

Vae mortuis!

Triste de quem morre!


Prezados amigos, um ótimo dia. A fábula de hoje nos remete seguramente aos tempos de Esopo, por sua narrativa e circunstâncias. Aprendemos a distinguí-las entre originais e adaptações, sem que nenhuma perca a mensagem. Boa leitura e até mais...


170ª - O Filho do Rei e o Leão pintado


Um Rei que tinha apenas um filho - este apaixonado por artes marciais -., certa noite sonhou que fora advertido sobre ele ser morto por um leão. Amedrontado e para que o sonho não viesse verdadeiro, construiu-lhe um palácio agradável, adornado em suas paredes para a sua diversão, com todos os tipos de animais nos tamanhos naturais e entre estes adornos, a pintura de um leão.

Quando o jovem Príncipe viu isto, ficou aflito por estar assim confinado entre afrescos. Próximo do quadro do leão, ele disse: "Você é o mais detestável dos animais! Estou fechado por sua culpa neste palácio, como uma menina, por causa de um sonho mentiroso de meu pai. O que farei agora com você?".

Com estas palavras, ele esticou suas mãos até um espinheiro, pretendendo cortar uma vara de seus ramos, para surrar o leão pintado, quando um dos espinhos afiados perfurou seu dedo e causou grande dor e inflamação, de forma que o jovem Príncipe caiu desmaiado. Uma violenta febre, repentina, instalou-se em se corpo, matando-o poucos dias depois.


Moral:


"Será melhor enfrentar corajosamente nossas dificuldades, do que tentar escapar delas".



terça-feira, 19 de janeiro de 2010

169ª - O Caçador e o Pescador - La Donna è Mobile

Dictum ac factum
Dito e feito




Bom dia aos amigos. A fábula de hoje nos coloca diante de uma situação muito comum. Tudo que é 'demais' acaba 'cansando'. Desde os prazeres de uma diversão, até os seguidos ganhos de alguma permuta, atrairão a sensação de tédio, de fadiga espiritual, um mal-estar causado por algo que entedia.Neste estado de espírito em que predomina o aborrecimento, o agastamento e a zanga só nos prejudicarão.

Na prosa de hoje, minha homenagem as damas, da minha vida (minha consorte - sorte tenho eu - e minha filha) , além de todas demais. Se há algo que nunca questionei ou duvidei, foi a 'intuição feminina'. Se quiseres ser feliz, nunca vá contra os movimentos da alma da mulher. Em homenagem à elas, escolhi uma ária da ópera 'Rigoletto' de Giuseppe Verdi ( criada em 1851), onde o Duque de Mantova, desdiz o feminino, mas o 'inconstante' é ele mesmo.
Se houver a possibilidade, ouçam a gravação desta ária e deixem-se levar pela beleza dela.

LA DONNA È MOBILE - Giuseppe Verdi - 'Rigoletto'

La donna è mobile qual piuma al vento,
muta d'accento e di pensiero.
Sempre un amabile leggiadro viso,
in pianto o in riso, è menzognero.

La donna è mobil qual piuma al vento,
muta d'accento e di pensier, e di pensier,
e... e di pensier.

È sempre misero chi a lei s'affida,
chi le confida mal cauto il core!
Pur mai non sentesi felice appieno,
chi su quel seno non liba amore!

La donna è mobil qual piuma al vento,
muta d'accento e di pensier, e di pensier,

Minha tradução:

A Mulher é volúvel

A mulher é volúvel
Como pluma ao vento,
Muda de entoação
E de pensamento.

Sempre um amável,
Gracioso rosto,
No choro ou em riso,
É mentiroso.

A mulher é volúvel
Como pluma ao vento,
Muda de entoação
E de pensamento.
E de pensamento.
E de pensamento.

È sempre um coitado
Quem a ela se entrega,
Quem lhe confia
Incautamente o coração.

Também nunca sente-se
Feliz em cheio
Quem naquele seio
Não saboreia o amor.

A mulher é volúvel
Como pluma ao vento,
Muda de entoação
E de pensamento.
E de pensamento.


169ª - O Caçador e o Pescador


Um Caçador voltando com os seus cachorros do campo encontrou por casualidade um Pescador levando para casa uma cesta carregada com peixes. O Caçador desejou ter o peixe e o dono deles experimentou igual desejo para ter o conteúdo da bolsa de caçadas. Eles rapidamente concordaram em trocar os produtos de seus esportes favoritos.

Cada um assim, ficou muito satisfeito com a pechincha, tanto que durante algum tempo fizeram trocas ao final de cada dia. Um vizinho disse a eles: "Se vocês seguirem deste modo, acabarão logo, através de freqüência, o prazer da troca e cada um desejará novamente reter os resultados do seu próprio esporte”.

Moral:

"Prazeres são elevados por abstinência".

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

168ª - O Caçador e o Lobo - prosa Ficção

Avarum irritat, non satiat, pecunia
A cobiça não se farta


Bom dia amigos! Ótimo início de semana. A fábula de hoje nos mostra exemplos da ganância e da avareza sendo castigadas. A moral deste conto nos remete ao infrutífero destes modos. Esopo e seus seguidores foram exímios nas lições.

Hoje também, cometerei um sacrilégio, mas quem não tenta peca por omissão. Sou apaixonado por narrativas como as de J.Steinbeck (As Vinhas da Ira), Truman Capote (A Sangue-frio) ou J.Grishman (The Chamber, Tempo de Matar, Dossiê Pelicano). Ficção não é meu caminho, mas não resisti a um pensamento sobre como a eterna busca da imortalidade e, nesta procura que tipo de questões podem surgir.

Uma novela de ficção em dois atos.

A humanidade estava eufórica. Depois de dezenas de anos, finalmente, o objetivo fora alcançado – a inteligência artificial – agora a máquina podia ‘pensar’. O teste seria realizado naquela tarde de verão e o ano: 2150. Os cientistas tinham recém descoberto como flutuar aleatoriamente os eflúvios eletromagnéticos no interior de processadores de altíssima velocidade. Qualquer obra de qualquer autor reconhecido ou trabalhos de cientistas renomados poderiam ser digeridos pelos teclados de vários computadores e a linha de pensamento recriada, dando nova existência às mentes iluminadas. O 'pensar' de quem já existira ganharia nova vida. O escolhido para o teste final deste feito fora Einstein. Todos os seus trabalhos estavam inseridos na máquina. Cada palavra dita por ele, cada hipótese, cada teoria esmiuçada em detalhes, alicerçavam a experiência.

Ali no anfiteatro, centenas de mestres-cientistas aguardavam ansiosas. O mundo inteiro estava conectado em rede com o fato. As luzes piscavam freneticamente no painel. O silêncio era absoluto. Então a máquina falou;

“Quero um sorvete! – Como sentirei o gosto de um sorvete?”.


168ª - O Caçador e o Lobo

Um Caçador ganancioso certo dia caçou um bom Cervo e antes que pudesse carregá-lo, uma bonita Corça surgiu na trilha e com uma seta, abateu-a. Um Javali passou neste instante por ali e o Caçador feriu-o também, de modo que o derrubou ao chão, como se morto. Não satisfeito com este jogo, o Caçador saiu à procura de uma Perdiz que piava proximamente, e quando estava fazendo isto, o Javali ferido recuperou-se o suficiente para pular nele e o matar. Um Lobo chegou à trilha e vendo os quatro corpos mortos, disse: "Aqui tem comida para um mês; mas pegarei o mais valioso e estarei contente hoje com o arco e a seta". Mas quando agarrou a arma, soltou a seta fixa que o atravessou no coração.

Moral:

"O homem ganancioso e o avarento não podem desfrutar de seus ganhos".

sábado, 16 de janeiro de 2010

167ª - O Cavalo e o Asno

Auctor criminis det poenas
Quem ofende pagará



Bom sábado a todos. Antes de tudo, nossas boas-vindas a James P., integrado às hostes deste nosso exército de Brancaleone, a lutar contra o mau humor e a intolerância. A fábula de hoje foca a prepotência dos mais fortes e seu castigo. Como geralmente ocorre, os maiores danos sobrevêem da linguagem ferina e das ofensas morais. A falta de respeito para com o mais fraco é castigada pelo tempo. Bom assunto para refletir e aprender a relevar¹. Até mais...


¹ v. t.d.bit. conceder perdão a; desculpar



167ª - O Cavalo e o Asno


Um Cavalo, orgulhoso dos seus paramentos, conheceu um Asno na estrada. O Asno estava fortemente carregado, caminhando lentamente. "Quase..." disse o Cavalo: "não pude resistir em escoiceá-lo com meus cascos". O Asno celebrou a sua paz e fez só um pedido silencioso de justiça aos deuses.

Não muito depois o Cavalo, tendo ficado sem fôlego, foi enviado pelo seu dono para a fazenda. O Asno, vendo-o puxando uma carroça com esterco, zombou-o assim: "Onde estão agora todos os paramentos enfeitados? Foste tu quem os reduziu para a condição que você tratou com tanto desdém?”.

Moral:

“Nunca desprezes o ser inferior!”.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

166ª - O Cavalo e seu Cavaleiro - Números Combinados

Equus conducticius facit brevia miliaria
Cavalo alugado não cansa


Bom dia amigos! A fábula de hoje, usa novamente as figuras do cavalo e seu tratador para ensinar as variantes do trato ético e moral entre os seres. Bela lição!

Mas, ESSES OLHOS VIRAM...

...a formação numérica do novo ano e constataram uma curiosidade. Não sou fã da numerologia, nem numerólogo, mas como engenheiro, os números contam-me estórias. Imaginem um palco, com um par de gêmeos - 0 e 0 -, mais dois outros bailarinos - 1 e 2 -. Eles se apresentam em várias formações e nós podemos apreciar 12 delas diferentes entre si, já que os gêmeos não os distinguimos: 0012, 0021, 0102,0120, 0201, 0210, 1002, 1020, 1200, 2001, 2010 e 2100. Isto é análise combinatória, linda parte da matemática, com os arranjos, permutações e combinações. Passem os olhos pelos conjuntos destes números e imaginem cada ano e como seria à época, desde o início da Era Cristã até hoje, passando pelo medievo e seguindo ao futuro. Resta apenas uma combinação possível, a de 2100, quando somente alguns de nós ali estarão. Daí, aproveitemos este penúltimo conjunto formado e sintamos a energia positiva que emana dele.

166ª - O Cavalo e o seu Cavaleiro

Um Cavalo de soldado tomou-se com grandes dores devido ao peso de sua carga. Tanto quanto a guerra durasse, ele olhava-o com a mesma categoria de um ajudante, em todas as emergências, alimentando-o cuidadosamente com feno e milho. Mas quando a guerra acabou, ele só lhe permitia palha para comer, fazendo-o levar pesadas cargas de madeira e sujeitando-o a muita servilidade, sem qualquer tratamento especial.

Porém, a guerra foi proclamada novamente e o Soldado vestiu o seu corcel com seus paramentos militares, montando-o, tendo consigo o pesado casaco de correio. O Cavalo caiu devido ao peso, não muito diferente ao fardo que levava antes, dizendo ao seu patrão: "Você deve ir agora a pé para a guerra, pois transformaste-me de Cavalo para Asno".

Moral:

"Quem despreza os amigos quando não precisa deles, não deve esperar que eles o sirvam quando preciso"..

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

165ª - O Cavalo e o Cavalariço - 'As Pombas'

Opera pro pecunia
Como se paga, assim se trabalha


Bom dia amigos do blog! A fábula de hoje é sintética e direta. Uma forma certamente adaptada por seguidores e fiéis contadores de historietas que passaram pelos séculos da cultura humana e por falar em cultura, ESSES OLHOS VIRAM...


...o tempo em que às poesias faziam parte dos diálogos caseiros, entre os petizes e os cuidadores. Aqui mesmo no blog, já editei alguns dos poemas mais cantados e que tanto enfeitavam nossas existências. Ontem, lembrei-me de mais um, AS POMBAS e fui atrás de reviver sua autoria e integralidade. Não me questionem o porquê de suas declamações e sua lembrança, mas creio poder deixar a cada um, a descoberta. Geralmente ele vinha à tona durante os - ou depois dos - colóquios existenciais que cercavam o ambiente efervescente e borbulhante da adolescência, quando, as asas de muitos sonhos batiam forte e eram sumariamente podadas, por razões que a própria razão desconhece. Bom poder recordar!..



AS POMBAS


Raimundo Correia


Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...



165ª - O Cavalo e o Cavalariço


Um Cavalariço costumava passar os dias inteiros na estrebaria a escovar seu Cavalo, mas, ao mesmo tempo, surrupiava sua aveia, para vendê-la em benefício e lucro próprios. "Opa!" disse o Cavalo, "se você realmente quiser que eu esteja em boas condições, deveria me cuidar menos e dar mais alimento para mim!".

Moral:

"Se você desejar fazer um serviço, faça-o corretamente."

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

164ª - O Tropeiro e o Bezerro Perdido

Optimus orandi magister necessitas
A necessidade faz a virtude




Bom dia a todos! Seguindo nossa viagem pelo tempo, vamos a mais uma fábula do nosso mestre. Certamente com algumas inserções, mas com o núcleo bem esopiano, pois vejam o moral e sua extensão. BOA LEITURA e até mais...


164ª - O tropeiro e o Bezerro perdido

Um Tropeiro que pastoreava numa perigosa floresta, perdeu um Bezerro macho do rebanho. Depois de uma longa e infrutífera procura, fez um voto: se pudesse descobrir somente o ladrão que havia roubado o Bezerro, ofereceria um cordeiro em sacrifício às Divindades Guardiãs da floresta.

Não muito depois, subindo uma pequena colina, subitamente viu aos seus pés, um Leão se alimentando do Bezerro perdido. Terrificado com a visão, ergueu seus olhos e mãos aos céus e disse: “Agora mesmo jurei oferecer um cordeiro às Divindades Guardiãs da floresta, se pudesse achar quem fora que havia me roubado; mas agora que descobri o ladrão, acrescentaria um Touro adulto - de boa vontade - ao Bezerro perdido e ofereceria ambos para os guardiões da floresta, se pudesse afiançar minha própria fuga deste Leão terrível".

Moral:

"Aquilo que procuramos ansiosamente, algumas vezes, nos deixa mais ansiosos para escapar quando bem-sucedidos na busca."

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

163ª - A Galinha e a Andorinha - 'Volver' de C Gardel

In periculo non est dormiendum
Quem tem inimigo não dorme


Olá amigos e amigas leitores(as). A fábula de hoje retrata mais uma vez, o 'dormir com o inimigo'm tema observado em muitas oportunidades neste mundo esopiano. Cuidemo-nos!


ESSES OLHOS VIRAM...


...o tempo em que à noite, duas ou três estações radiofônicas eram sintonizadas nos receptores. Em noites de tempo bom, a Rádio El Mundo de Buenos Aires era nossa preferida, quer pelo som de uma língua estrangeira, quer pela freqüência das músicas tocadas, principalmente os tangos. Carlos Gardel era uma constante e nos deliciávamos com as tragédias custosamente entendidas. Havia um tango, Volver, espécie de hino às lembranças dos ‘hermanos’, como se a letra pudesse trazê-lo de volta. Fiz a tradução da letra para o blog e a curiosidade de quem quiser ler. A poesia é profunda, tal como as canções de Piaff – aliás, os dois eram franceses -, Recomendo ouvir este tango, é lindo.



Volver (Voltar) - Carlos Gardel
 
Eu pressinto as piscadelas
das luzes que ao longe
vão marcando minha volta.
São as mesmas que iluminaram
com seus pálidos reflexos
profundas horas de dor.
 
E ainda que não queira o regresso
sempre se volta ao primeiro amor.
A velha rua onde o eco disse
"Tua é sua vida, teu é seu querer",
sob o olhar zombeteiro das estrelas
que com indiferença
hoje me vêem voltar.
 
Voltar...
com a fronte  entristecida,
as neves do tempo
branquearam minhas têmporas
 
Sentir...
que é um sopro a vida,
que vinte anos não são nada,
que febril a olhada
errante na sombra
te procura e te chama.
 
Viver...
com a alma aferrada
a uma doce recordação
que choro outra vez
Tenho medo do encontro
com o passado que volta
a enfrentar-se com minha vida...
Tenho medo das noites
que povoadas de recordações
encadeiam meu sonhar...
 
Mas o viajante que foge
tarde ou cedo detém seu andar...
E ainda que o esquecimento, que tudo destrói,
tenha matado minha velha ilusão,
guardo escondida uma esperança humilde
que é toda a fortuna de meu coração.
 
Voltar...
com a fronte entristecida,
as neves do tempo
branquearam minhas têmporas
 
Sentir...
que é um sopro a vida,
que vinte anos não são nada,
que febril o olhar
errante na sombra
te procura e te chama
 
Viver...
com a alma aferrada
a uma doce recordação
que choro outra vez
 


163ª - A Galinha e a Andorinha

Uma Galinha que achou os ovos de uma víbora mantinha-s chocados cuidadosamente, possibilitando-os a sobreviverem. Uma Andorinha, observando o que ela tinha feito, disse: “Você é uma criatura tola! Por que choca estas víboras que, ao nascerem, certamente lhe atacarão, bem como a nós?”.

Moral:

"Se nutrirmos o mal, cedo ou tarde se voltará contra nós.”