terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Paradoxal - Feliz Natal


É um minúsculo planeta azul. Gira em torno de uma minúscula estrela amarela, igual a bilhões delas em sua galáxia e esta, igual a bilhões de outras no firmamento.

Neste planeta há uma espécie de raça, a mais paradoxal existente. A cada circunscrição do planeta na estrela amarela, ocorrente a cada 365 rotações sobre si mesmo, alguns desta raça resolvem comemorar a data de um passado nascimento. Louvado na pobreza, no despojo e na singeleza, o recém nascido é sempre lembrado com nababescos banquetes e faustosos presentes.


Aproveitando-se a viagem de Magos do Oriente, chamados Belquior, Baltazar e Gaspar, aplicaram um, -cada vez mais agressivo- programa de marketing. De um pote com ‘incenso’, de um pedaço de ‘mirra’ e de uma ‘pepita de ouro’, atualmente movimenta-se o comércio do planeta inteiro nesta data. E o quarto poder, - a imprensa, que vive disto-, catalisador das massas, está ali para gravar o último comprador, do último minuto, da última hora útil, do último dia e da última loja. Todos saem às ruas para ganhar estes dez segundos de fama, torcendo por ser o entrevistado.

Nesta época, quem lucrou exageradamente no período passado, sai doando alguns trocados aos miseráveis e sempre com a mídia seguindo-o. Os que mataram, assassinaram e transgrediram, sorriem e pedem perdão, pois nada como começar tudo de novo com o caderno passado a limpo.


Os vendilhões do templo, ornamentados como xamãs, tal como quando vão lavar alguns pés limpos e polidos, entregam-se a rituais noturnos achando que enganam o ‘dolce far niente’.


Os ares se enchem com votos impossíveis: paz onde há conflitos, saúde onde há doença mórbida e riquezas onde há a misérias, Paradoxal!

O melhor seria crer que cada um possa ter o que mais lhe falta, por méritos próprios. Seria mais saborosa a conquista. Cair do céu, por um simples desejo, nem cometa ou asteróide. Este é meu desejo a todos: muita força e coragem!



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

161º ´ - A Novilha e o Boi


Saepe carent multa responsis verbula stulta
Às palavras loucas, ouvidos moucos



Bom dia caros leitores! A fábula de hoje mostra como o destino nos surprende com seus desígnios. Nem sempre estamos preparados para suas peças... BOA LEITURA e até amanhã


161ª - A Novilha e o Boi


Uma Novilha viu um Boi trabalhando arduamente preso a um arado, e atormentou-o com reflexões sobre seu destino infeliz, sempre compelido a trabalhar. Logo depois, no celeiro, o dono libertou o Boi do seu jugo, mas prendeu a Novilha com cordas e a conduziu para um altar a fim de sacrificá-la em honra ao festival. O Boi viu o que estava sendo feito e disse a ela: "Para isto lhe permitiram viver em inatividade, porque você agora será sacrificada".

Moral:

"As vidas do inativo podem ser melhor sacrificadas".

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

160ª - O Falcão, o Gavião e os Pombos


Mala ultro adsunt
A desgraça vem se for chamada


Bom dia amigos. A fábula de hoje mostra como devemos ser parciais em pedir auxílio a alguém, escolhendo bem a quem solicitar amparo. Bela moral. BOA LEITURA e até amanhã...

160ª - O Falcão, o Gavião e os Pombos


Os Pombos, aterrorizados pelo surgimento de um Gavião, chamaram o Falcão para defendê-los. O Falcão consentiu imediatamente. Quando permitiram sua entrada no pombal, viram que ele faria mais destruição e mataria num só dia um número maior deles, do que a Pipa possivelmente faria se caísse sobre eles, durante o ano inteiro.


Moral:


"Evite um remédio que é pior que a doença".




quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

159ª - O Falcão e o Rouxinol

Certa praestant incertis
Mais vale um 'tome' que dois 'te darei
'

Bom dia a todos. A fábula de hoje contém uma das morais mais conhecidas por todos. O certo não se troca pelo incerto. BOA LEITURA e até amanhã...

159ª - O Falcão e o Rouxinol


Um Rouxinol, sentado no alto de um carvalho, foi visto por um Falcão que desceu rapidamente e o agarrou. O Rouxinol humildemente pediu ao Falcão para deixá-lo ir embora, dizendo que ele não era grande o bastante para satisfazer sua fome e que deveria procurar os pássaros maiores. O Falcão disse: "Eu devo ter perdido meus sensos da realidade se deixar a comida pronta para miM e for procurar pássaros que não estão nem mesmo no raio da minha visão”.

Moral:

"Um pássaro na mão é mais valioso que dois no galho".

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

158ª - A Lebre e o Cão de Caça - Cinema no bairro

Vivere militare est
Viver é lutar

Bom dia amigo! A fábula de hoje, íntegra conforme o original em inglês, é do tipo 'pano rápido', mas contém ótima lição sobre a desculpa do perdedor e a verdade dita nela. A lebre corre por sua vida e o predador por um almoço. Na prosa de hoje, a lembrança de como agiam as multinacionais na década de 50 para incutir o consumo de seus produtos a uma classe média emergente no país. ESSES OLHOS VIRAM...

...na década de 50, o ‘cinema no bairro’. Um veículo, todo amarelo e com alto-falantes verdes no teto, trazendo uma marca logotipo pintada em vários tamanhos, anunciava pelas ruas: ‘Hoje à noite, sensacional sessão de cinema na rua tal, às 20.00 horas. NÃO PERCAM!’

A rua ‘tal’, era um ‘quase beco’, cujo melhor trecho acabava junto â grande parede traseira de uma cooperativa vinícola. Ali, no horário anunciado, juntava uma multidão ávida pela novidade, vinda de todo bairro. Cinema de graça? Diversão dobrada!

Iniciava o espetáculo. Um enorme pano branco esticado junto aos tijolos da parede servia de tela. O primeiro filme, era sobre a higiene bucal e os micróbios invasores. Recordo da escova dental servindo de tacape para um bonequinho feito com pedaços do creme dental e uma ridícula cartolinha verde. Pancada vai pancada vem e liquidados os monstrinhos, ao acabar a saga, todos – acredito – faziam uma auto-análise sobre seus dentes e estado geral da boca.

As mariposas e as borboletas ‘bruxas’ em igual ou maior número que os presentes, invadiam o facho do projetor, lançando animados bailados na tela. As mais corajosas, iniciavam uma corte direto à lâmpada da máquina. O maquinista-projetor esmerava-se nos tabefes e pancadas com um pano. Diversão dobrada.

Aí, o filme principal: e todas as vezes que vieram, impreterivelmente, exibia-se um faroeste com cenas infindáveis de assaltos aos bancos, diligências e uma mocinha em perigo. Um herói e seu cavalo sábio e um final feliz. No encerramento distribuíam aos assistentes uma miniatura do creme dental KOLYNOS. Para dezenas, era a nova anunciação sobre higiene. bucal. Para outros, uma diversão rara, pois cinemas poucos podiam ir. Engraçado era o armazém do bairro já dispor na semana seguinte, de generosos tubos gigantes do mesmo creme patrocinador do cinema e todos, exigindo a sua compra aos progenitores...


158ª - A Lebre e o Cão de Caça

Um Cão de Caça iniciou a perseguição a uma Lebre, mas depois de uma longa corrida, parou a caçada. Um cabra do rebanho que o viu e parando escarneceu-o, dizendo: "Dos dois, o pequeno é o melhor corredor". O Cão de Caça respondeu: "Você não vê a diferença entre nós: Eu só estava correndo para um jantar, mas ele pela vida”.

Moral:

“O incentivo esporeia o esforço".



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

157ª - A Lebre com Medo das Orelhas - 'Dorvala'

Tanti, quantum habeas, sis
Quanto tens, tanto vales


Bom início de semana amigos. A fábula de hoje mostra que nossa tolice, junto com uma interpretação de aparências, pode ser fatal. Convém uma boa dose de raciocínio antes de uma atitude cabal. A prosa de hoje, rememora o conviver com quem soube fazer da dificuldade, uma arma de louvação. ESSES OLHOS VIRAM...

...como alguns a chamavam de ‘a Velha... ’, outros ‘a Dona...’, os íntimos ‘ a Preta’ e nós ‘a Vó...'. Dorvala era seu nome. Filha de escravos nascida nos pagos. Foi a pessoa de alma mais branca que conheci. De uma vida desregrada quando jovem, no trabalho, na bebida e no fumo - contado por ela própria -, um derrame cerebral a deixou paraplégica. Todo seu lado direito parou, mas seu lado de dentro aflorou numa sabedoria infindável. Foi assim que a conhecemos, já com as cãs e alquebrada pela idade e pela paralisia. Analfabeta, exprimia o sentido cristão em palavras sábias, como nenhum pastor ou sacerdote o fariam. Nos dias de hoje, sua figura caberia em qualquer roteiro de líder comunitária famosa. Visitava-nos com freqüência, para ganhar um prato de comida, sempre em troca de algum trabalhinho no quintal. A oração de agradecimento pela refeição, feita por ela à mesa, tinha a louvação ao Criador como obra encomendada pelos reis David e Salomão para Os Salmos. Ao final balbuciávamos um amém constrangido diante de tanta eloqüência. Educou seus filhos e netos sob o signo da retidão. Certo dia recebi um aviso. Estava hospitalizada. Fui visitá-la. Seus cabelos brancos contrastavam com a pele negra. Sem forças e sem os costumeiros óculos, seus olhos marejavam lágrimas, vagando a esmo. Ao me ouvir sorriu, pegou-me a mão. Não conseguiu falar. Ficamos ali, quietos, rememorando as brincadeiras e os diálogos sagrados que havíamos tido. A finitude humana é engraçada. Palpável como a própria vida, ainda nos choca violentamente ao dar seus sinais. Com a voz embargada, sussurrei: ‘Até breve Vó Dorvala’ e a beijei na face macia. Ela apenas sorriu, já não chorava mais. Ela foi um exemplo em nossas vidas infantis e despreocupadas. O Cosmos a abençoe ‘Vó Dorvala’, em breve nos encontramos.





157ª - A Lebre com Medo das Orelhas

O Leão, ficando enormemente ferido pelos chifres de uma cabra selvagem, jurou com grande raiva que todo animal de chifres deveria ser banido do reino animal. Uma Lebre tola, vendo a sombra das suas orelhas, ficou com grande medo e para que não elas não fossem confundidas com chifres, cortou-as fora.

Moral:

“As aparências enganam”.

sábado, 12 de dezembro de 2009

156ª - O Pastor e as Cabras - 'Meus 8 anos' C.Abreu

Omne nimium nocet
Tudo que é demais prejudica

Bom sábado a todos, apesar das chuvas intensas. A fábula de hoje, repica o diapasão do 'tudo querer'. O ditado 'quem tudo quer, tudo perde' é uma constante no mundo esopiano. Bela leitura, com uma nova ambientação.

A prosa de hoje, conclue o périplo pelo mundo da poesia anestesiante e amansadora de nossa infância. ESSES OLHOS VIRAM...

...surgir do nada, versos altamente questionadores. Acabara-se o tempo do choque tertuliano ou dos mistérios marinhos e eólicos. Quando a situação ameaçava eclodir em batalha campal, surgia uma voz trágica a declamar as vicissitudes do Casemiro e seus dilemas. Todos calávamo-nos e mergulhávamo-nos no vórtice de um redemoinho psicológico (ainda não o sabíamos ser algo psicológico, mas que abria o dilema da vida adulta, abria). O turbilhão de idéias estancava o ambiente propenso a um conflito maior.

O poema não chegava à metade e vários ‘exércitos’ já haviam saído de cena. E assim íamos levando a vida...


MEUS OITO ANOS


Oh! Que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!


Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!


Como são belos os dias

Do despontar da existência!

— Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;


O mar é - lago sereno,

O céu - um manto azulado,

O mundo - um sonho dourado,

A vida - um hino d'amor!


Que aurora, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!


O céu bordado d'estrelas,

A terra de aromas cheia

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!


Oh! Dias da minha infância!

Oh! Meu céu de primavera!

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã!


Em vez das mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

De minha mãe as carícias

E beijos de minha irmã!


Livre filho das montanhas,

Eu ia bem satisfeito,

Da camisa aberta o peito,

- Pés descalços, braços nus -


Correndo pelas campinas

A roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis!


Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;


Rezava às Ave-Marias,

Achava o céu sempre lindo.

Adormecia sorrindo

E despertava a cantar!


Oh! Que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!


- Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

A sombra das bananeiras

Debaixo dos laranjais!


Casemiro de Abreu – publicado em 1859, no único livro do autor 'As Primaveras'.


156ª - O Pastor e as Cabras

ERA um dia tempestuoso e a neve estava caindo rapidamente, quando o rebanho de cabras conduzido pelo Pastor, todas já brancas com a neve, chegou a uma caverna antes deserta, para servir de abrigo. Ali encontrou outro rebanho de cabras selvagens, mais numeroso e maior que o seu próprio que já havia tomado posse do lugar. Assim, pensando arrebanhar todas elas, deixou as suas Cabras aos próprios cuidados e jogou a comida que havia trazido para elas, às Cabras Selvagens, indo embora para voltar assim que o tempo melhorasse. Mas quando o tempo clareou, ele voltou e encontrou as próprias Cabras mortas pela fome, enquanto as Cabras Selvagens tinham fugido para as colinas e bosques. Assim o Pastor foi motivo de chacota dos próprios vizinhos, pois além de não ter pego as Cabras Selvagens, perdeu as suas próprias.

Moral:

"Aquele que negligencia os seus velhos amigos por causa dos novos é certamente agraciado com a perda de ambos”.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

155ª - A Cabra e o Asno - 'Deus' C.Abreu

Sapiens est, qui tacere novit
Ignaro calado por sábio é contado

Bom dia caros leitores! A fábula de hoje pareceu-me estranha. Tipo alguém ajustar um sentido moral com uma história surrealista. A tradução de 'leech', só admite 'sanguessuga' e ela (a sanguessuga) recomenda o uso do sangue para aliviar os ferimentos do asno. Confesso, não entendi. Fica para cada um esta tarefa.

A prosa iniciada ontem, continua e ESSES OLHOS VIRAM...

...com o passar do tempo e a compreensão dos novos vocábulos, os efeitos anestésicos de Tertuliano foram se exaurindo. Sem os resultados esperados, diante dos conflitos generalizados, eis que repentinamente surge a ‘crise existencial’ de Casemiro de Abreu. Aquele... ‘o mar bramia’, -eu sabia ser o grito dos elefantes descrito nos livros do Tarzan -, calava fundo. Caramba, sem conhecer mares, ou tufões, ainda me declaravam que apenas Deus era maior. Deviam ser grandes os oceanos e os tufões... A curiosidade pelas descrições, tudo acalmava.

DEUS

Eu me lembro! Eu me lembro! — Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra”! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?!”

— Minha mãe a sorrir olhou pr'os céus
E respondeu: — “Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão! meu filho, é — Deus!”—

imagem: Casemiro de Abreu – poema editado em 1859

TO BE CONTINUED


155ª - A Cabra e o Asno

Certa vez um Homem tinha uma Cabra e um Asno. A Cabra que invejava o Asno por causa da sua maior quantidade de comida, disse: "Que vergonhosamente você é tratado; ora trabalhando pesado no moinho, ou levando pesados fardos"; e ele o aconselhou-o que deveria fingir estar epiléptico e entrasse em um fosso e assim obter descanso. O Asno deu crença às palavras delas e entrando num valo, ficou muito machucado. O patrão dele, chamando uma sanguessuga e imediatamente pediu-lhe seu conselho. Ela aconselhou cobrir as feridas com o sangue de uma Cabra. Eles mataram a Cabra e curaram o Asno.

Moral:

"Prejudicando outros somos capazes de receber dano maior".

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

154ª - O Mosquito e o Touro - 'Tertuliano'

Nemo dat quod non habet
Ninguém perde o que não tem

Bom dia amigos! A fábula de hoje é sobre a presunção. Quantas vezes nos arvoramos em importâncias menores? Ligar o 'desconfiômetro' é uma ótima opção. E por falar em empáfia, vamos à prosa de hoje, onde ESSES OLHOS VIRAM...

...... e esses ouvidos ouviram centenas de vezes o soneto que transcrevo abaixo e hoje, merecedor de absorção absoluta, tamanha a verdade imbuída nele. Era declamado em tom dramático, quando a situação ameaçava virar arruaça dentro de casa. Suas palavras, então desconhecidas do vocabulário corrente, continham os ânimos exaltados, pois a entoação trágica dos últimos versos, possuia o dom de transformar todos beligerantes em ‘Tertulianos’, - cujas ‘mortes não fariam falta’-. Cada vez, os mais velhos iam até o dicionário, descobrir o significado das ‘pérolas vocabulares’. Apesar do nome deste soneto nº. 9, ele é bem atual. Indico o aprendizado, vale a pena!

VELHA ANEDOTA

Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? -

Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: - Juízo! -

foto:Artur Azevedo – Soneto nº.9 publicado em 1876.

TO BE CONTINUED

154ª - O Mosquito e o Touro

Um Mosquito que estava zumbindo ao redor da cabeça de um Touro, finalmente assentou-se num dos chifres, implorando o seu perdão por incomodá-lo; "mas se,” disse ele, "meu peso e todas as inconveniências causadas a você, rogo que me diga assim eu irei embora num instante". "Oh, nunca se aborreça com isso," disse o Touro, "para todos os efeitos por mim, se você vai ou fica não importa; e para dizer a verdade, nem sei se você estava ali”.

Moral:

"Quanto menor a mente, maior a vaidade".



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

153ª - Os Peixes Grandes e Pequenos - 'Zio Can' 2/2

In medio stat virtus
A virtude está no meio



Bom dia caros leitores! A fábula de hoje é de um conteúdo muito simples, mas trazendo grande mensagem. Para as crianças nada melhor que imagens ingênuas demonstrando uma lição. A prosa de hoje, conclue um pequeno relato, iniciado ontem e que nos mostra o vivenciar na década de 50. Continuando ESSES OLHOS VIRAM...

...nos tempos após a Segunda Grande Guerra Mundial - aqui na região - falar ou discursar se não em português, significaria detenção e custosas explicações. Naquela época um velho senhor italiano, costumeiro aos círculos dos aperitivos, após algumas rodadas, insatisfeito com os rumos das batalhas na Europa, gritava doidamente: ‘Porco quel’, ‘Porca quela’, ‘Maledetto questo’, ‘Madonna’ ‘Dio c..’. Esta última blasfêmia então, era merecedora de uma corruptela amansadora, usada pelo próprio blasfemador, para ferir menos os ouvidos e a dignidade religiosa. Ele gritava: ‘Zio can!’.

Os seus amigos, aflitos com os berreiros etílicos e suas conseqüências trágicas, pensaram como ensiná-lo a insultar em português. Porém, o único enunciado, passível de uma versão menos ofensiva era este último descrito acima. A imprecação ficou assim: ‘Tio cachorro’, já que ‘zio’ é como se chamam os ‘tios’ na Itália. Pois o nosso cidadão aprendeu e de tanto dizê-lo, ficou sendo conhecido na cidade inteira como o : ‘lá vem o Tio Cachorro!’, assim estigmatizado por seu destempero verborrágico.


153ª – Os Peixes Grandes e Pequenos

Um Pescador estava recolhendo a rede que tinha lançado no mar, cheia com todos os tipos de peixes. Os Peixes pequenos escapavam pelas malhas da rede, e voltavam ao fundo do mar, mas os Peixes grandes eram todos pegos e puxados ao bote.

Moral:
"Nossa insignificância freqüentemente é causa de nossa segurança".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

152ª - O Mosquito e o Leão - 'Zio Can!' 1/2

Multa narrantur atrociora quam sint
Não é tão bravo o leão como o pintam

Boa tarde a todos! A fábula de hoje, sem uma moral especificamente escrita, alerta que sempre haverá alguém inferior a levar vantagem, apesar de nossas vitórias sobre o imponderável. Bela lição. A prosa de hoje, ESSES OLHOS VIRAM...

... e conviveram com tempos onde ainda recrudesciam as diferenças ideológicas que causaram a Segunda Grande Guerra Mundial. Mesmo com os palcos de batalhas no outro lado do Oceano, aqui mesmo, várias nacionalidades advindas para a colonização se viram em ‘saia justa’. Logo a Itália, Alemanha e Japão, os maiores colonizadores do sul brasileiro, aliaram-se formando o Eixo, contra ingleses, franceses e norte-americanos, além de outros, inclusive o Brasil.
Distantes das pátrias-mães, ao menos o cultivo da língua, costumes civis e religiosos, era um paliativo à saudade destes imigrantes. Entretanto, até isto ficou cerceado por ordens superiores. Proibiu-se o uso da língua falada, das expressões e homenagens. Até as trocas de nomes ilustres de outras nacionalidades aos locais públicos foram efetivadas e assim por diante.

O italiano é antes de tudo um paradoxo. Católico como poucos, devoto e sacristão extremado, ao menor arrepio de algo, torna-se um agnóstico blasfemador. Saem de sua boca, imprecações contra toda divindade e ao que é sagrado. Aos berros e lançando à humanidade seu desagrado, este zurrar tem que ser na própria língua, ou seja, descarregar a raiva em sonoro italiano. De carregador de baldaquins, transforma-se num taura vociferante.

TO BE CONTINUED


152ª - O Mosquito e o Leão

Um Mosquito chegou e disse para um Leão: "Eu não faço pelo menos medo a você, nem você é mais forte do que eu sou. No que consiste sua força? Você pode arranhar com suas garras e pode morder com seus dentes - e assim pode conquistar uma mulher nas disputas. Eu repito que eu sou totalmente mais poderoso que você; e se você duvidar disto, vamos lutar e ver quem ganhará". O Mosquito, enquanto tendo aprontado seu bico, se fixou no Leão e o picou nas narinas. O Leão tentando esmagá-lo rasgou-se com suas próprias garras, tanto que se machucou seriamente.
O Mosquito prevaleceu-se assim do Leão e zumbindo uma canção de triunfo, voou embora. Mas logo depois ele ficou emaranhado nas malhas de uma teia de aranha e foi comido por ela. Ele lamentou profundamente o seu destino, dizendo: “Aflição! Eu que pude empreender guerras vitoriosas com as enormes feras, devo perecer por causa desta aranha!".

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

151ª - Os Gansos e os Grous - Sonhos e Sorte 2/2

Aleam emere
Comprar gatos em saco


Boa tarde a todos ! A fábula de hoje é sobre como fica fácil ganhar o carimbo de culpado pelo simples fato de acompanhar. Devemos - sem pré-conceitos - estar atentos com quem estamos. Na seqüência da prosa sobre a sorte, ESSES OLHOS VIRAM em continuação...

...o que se seguiu. Meu avô paterno (também então já falecido), com pena do filho não ter compreendido as mensagens ectoplasmáticas, surgiu no terceiro sonho e indicou: “Olhe o poste!”. Ao acordar meu pai seguiu a ordem o olhou. Um poste recém colocado na rua, bem em frente à nossa casa, trazia no seu topo um número pintado em vermelho: 269. Mensagem mais direta impossível. Na época - com grande sucesso -, havia uma rifa mensal onde o prêmio era um automóvel Volkswagen zero quilômetro, patrocinada pela igreja. A cautela custava verdadeira fortuna e valia por 12 meses. Quando o vendedor desta rifa foi ao local de trabalho do pai, este pediu: “Tens o número 269?” – A resposta foi: ”Sim, tenho!” Ele - o pai - ofereceu ao seu colega melhor amigo, sociedade. Este aceitou! Passou-se todo o ano e nada. Concluída aquela série, seguiram-se as renovações para mais um período anual. O amigo desistiu. O pai continuou sozinho. Na última semana do último mês daquele ano qual o número sorteado pela loteria federal em primeiro lugar na centena? 2 6 9! BINGO1 E o amigo? Todo mês ele jogava sua fezinha nesta centena e ganhou também uma bela bolada. Não são raros os casos de como a persistência e a visão ao interpretar as coisas podem ajudar. Aí sim, a sorte para todos passa a ser igual! Ah, qual a cor do carro que veio? VERMELHO...

151ª - Os Gansos e os Grous

Os Gansos e os grous alimentavam-se no mesmo prado semeado. Um caçador de pássaros veio enlaçá-los em suas redes. Os Grous, sendo mais leves para voar, fugiram rápido à sua aproximação; enquanto os Gansos, mais lentos e com corpos pesados para voar, foram todos capturados.

Moral:

"Aqueles que são apanhados, nem sempre são os mais culpados".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

150ª - Os Galos de Rinha e a Perdiz - Sonhos e Sorte 1/2

Alea iacta est
A sorte está lançada


Bom dia amigos! A fábula de hoje, um tanto anacrônica aos tempos de Esopo, - seguramente uma adaptação de seus seguidores -, dá importância ao distanciamento aos recomendado aos litígios e disputas. Nada se ganha imiscuindo-se em campos alheios, ao contrário, chama-se para si a intromissão e os conflitos.
A prosa de hoje fala da sorte e sua influência na vida. BOA LEITURA e até mais...
ESSES OLHOS VIRAM...

... o tempo de a sorte ser auscultada. Há nas estações de rádio de hoje, quando das jornadas esportivas, um reclame sobre a sorte, onde a oficialidade incita a aposta, numa concorrência alucinante à fezinha. Dizia até uns dias atrás: “Para a sorte, todo mundo é igual!”. Dizem agora: “Para a sorte todos os dias são iguais, acredite, aposte!”. Eu já penso que sorte não é para quem quer, mas sim para quem tem,
Prova disto são estes três episódios ocorridos na minha infância. Os sonhos foram quase enfileirados. A questão era interpretá-los corretamente. No primeiro, minha vó materna, então já falecida, surgiu para meu pai e declarou: “Como é que no Dia das Mães ninguém?”.
Montaram-se várias hipóteses e não se acertou o alvo. No sábado seguinte o final da loteria federal foi 006 (naquele ano o Dia das Mães caiu em seis de maio!).
Em seguida, noutro sonho, esta mesma vó surgiu novamente para meu pai e com o dedo indicador, simplesmente apontava para a testa, num gesto lento e pausado. Mais uma vez montaram-se várias hipóteses. Datas de nascimento, de falecimento e afins. Nada! A loteria federal seguinte deu 001 como centena do primeiro prêmio– um na cabeça -. Minha vó cansou de nossas obtusidades e não veio mais.

TO BE CONTINUED

150ª - Os Galos de rinha e a Perdiz

Um Homem tinha dois galos de brigas no seu galinheiro. Por casualidade, um dia que ele foi à feira, estavam vendendo uma dócil Perdiz. Ele comprou-a e trouxe-a para casa, onde poderia ser criada junto com seus galos de rinha. Assim que ela foi posta no quintal, eles golpearam-na e seguiram fazendo isto, atordoando a pobre Perdiz. Confuso e supondo que lhe tratavam assim mal, porque ela era uma estranha, o homem retirou-a do galinheiro.
Não muito depois, ele viu os Galos que lutavam entre si e não se separando antes que um deles tivesse batido muito bem no outro. Ele disse então: "Não me preocuparei com os golpes dados por estes galos, quando vejo que eles não refreiam nem mesmo o desejo de disputar entre si”.

Moral:

"Os estranhos devem evitar aqueles que disputam entre si".

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

149ª - A Raposa e o Lenhador - Óleo de Rícino

Verbum emissum non redit
Palavra solta não têm volta

Bom dia a todos! A fábula de hoje, seguindo a saga volpiana (volpe = raposa), descreve a sagacidade na resposta final. As palavras são mais potentes que os atos? Belo estudo. A prosa de hoje, faza um passeio até a década de 50, onde ESSES OLHOS VIRAM...

...O tempo em que o óleo de rícino era chamado para resolver as aparentes questões insolúveis da saúde. Como um Sherlock Holmes saía atrás do criminoso de forma inapelável, insistente e canina. Nada sobrava no trato intestinal que pudesse contar a história.

Fica a cargo de algum antropólogo descobrir o porquê a tribo inteira – e simultaneamente - devia ingerir este 'maravilhoso condimento, de suave sabor e delicado trato com as mucosas internas', sem dimensionar quantos banheiros estariam à disposição. Que falta de planejamento!

Alguém se queixando de alguma coceira, urticária, brotoeja e pronto: lá vinha a frase hecatômbica: “Dagli un gotto d’olio”. (Dê-lhes um copo grande de óleo). Vendido em simpáticas garrafinhas de pescoço longo, ali mesmo no armazém do bairro, era o pânico geral. O quitandeiro, o do bálsamo-alemão, ficaria te lançando aquele olhar sardônico durante uma semana. Era administrado para todos - saudáveis ou inapetentes -, misturado com uma 'gostosa' Coca-Cola quente. Não sei se era forma de iludir os piás, com o sabor xaroposo de uma bebida estrangeira, ou se para acelerar o efeito do óleo, mas uma coisa é certa: arrotar óleo de rícino é dose para nunca mais esquecer. Na obscuridade medieval em que vivíamos este óleo - usado desde os antigos egípcios -, era pajelança certa. Os estudos de hoje consideram-no - além de potente laxante -, um ótimo bio-combustível, algo que há 50 anos atrás eu já o classificava: incinerador de qualquer caloria.

Atualmente onde até o ácido acetilsalisílico é adocicado e em dose diminuta – deviam ter conhecido o ‘Melhoral’ – , vejo o quanto sofremos em nome da cura. Sapientemente, com o passar dos anos aprendeu-se a calar quando algo não ia bem, ou seja, única forma de afastar o inimigo – o silêncio -. Chego a imaginar o uso dele em caso de tosse aguda, com a frase maquiavélica do curandeiro erudito e sádico, empregando os verbos no tempo imperativo afirmativo do subjuntivo : “Tosse tu agora, se tem tu coragem!”.


149ª - A Raposa e o Lenhador

Uma Raposa, fugindo antes que os cães de caça a pegassem, encontrou um Lenhador que derrubava um carvalho e lhe implorou que lhe mostrasse um esconderijo seguro. O Lenhador lhe aconselhou que se abrigasse na sua própria cabana. A Raposa rastejou para dentro e se escondeu em um canto. O Caçador surgiu em seguida, com seus cães de caça e indagou ao Lenhador se havia visto a Raposa.

O Lenhador declarou não tê-la visto e enquanto falava, apontava todo o tempo para a cabana onde a Raposa estava escondida. ainda. O caçador não entendeu os sinais, mas acreditando na palavra dele, foi adiante na perseguição. Assim que ele estava bem longe, a Raposa partiu sem dar uma explicação e o Lenhador e este a repreendeu dizendo, "Você é companheira ingrata, você me deve sua vida e ainda me deixa sem uma palavra de obrigado". A Raposa respondeu: "Realmente, eu deveria ter lhe agradecido mais fervorosamente, se suas ações tivessem sido tão boas quanto suas palavras".



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

148ª - A Raposa e os Perus - O Circo

Est avis in dextra melior quam quattuor extra
Mais vale um pássaro na mão que dois voando


Bom dia amigos! A fábula de hoje nos mostra a esperteza triunfando sobre a bobeira. A raposa, símbolo da astúcia nas histórias de Esopo, age propositalmente para assustar e assim levar vantagem. Devemos refletir sobre este mote. Na prosa de hoje, também valeu a perspicácia. ESSES OLHOS VIRAM...

...as carroças tracionadas por fogosos cavalos, anunciando o circo na cidade, Palhaços e bailarinas seguiam-nas em piruetas e danças. Duas jaulas também eram levadas juntas, com a pantera negra e o dromedário mostrando o lado selvagem do espetáculo. Durante quinze dias das férias escolares, virou rotina a passagem deste saltimbanco para alegria da gurizada. Com certeza teríamos espetáculo circense logo, logo. O tempo voava e nada de preparativos ao mundo do picadeiro. Até que certa tarde a caravana ao passar em nossa rua, anunciou: “Último dia – domingo!”... Como sempre, iniciaram-se as romarias dos pedintes. Era tanta a choradeira que enfim, dignou-se a aventura. Domingo à tarde, após a Armatta di Brancaleone (meia dúzia de pessoas), estar arrumada em trajes domingueiros - recém passados-, toda reluzente, penteada e feliz partiu. Eram cerca de dez quarteirões feitos sem sentir, tamanha expectativa. Chegados ao descampado, a enorme lona colorida dominava a cena. CIRCO VOSTOK era o nome dele. As filas eram enormes, e todos se agitavam. Lembro a serragem pelo caminho e os animais que desfilavam com a caravana anunciante, estavam à vista, como se esperando a platéia. A música soava alta pelos alto-falantes Era lenta a bilheteria e o tempo escoava. Mas, certamente aguardariam para o início até estarmos sentados.
Repentinamente, como uma faísca elétrica, a questão surgiu entre nós: “Alguém lembrava ter sido desligado o ferro de passar?”. Pedi: "Mas é coisa de se perguntar, logo agora?"
A bilheteira pediu: “Quantos ingressos?” Com um safanão saímos em desabalada carreira. Sem responder e sem respirar direito, as dez quadras se transformaram em pista atlética. Em minutos estávamos ofegantes já à porta da casa. Lembro do cheiro de pano queimado. A almofada onde se alisavam as roupas, já era. Queimada! A mesa, carimbada também com enorme mancha escura, em segundos viraria cinza. Desligado o ferro e amainado o estrago, restou-nos descansar e aguardar a próxima chegada do circo na cidade. O VOSTOK perdeu alguns assistentes e nós ganhamos a casa!


148ª - A Raposa e os Perus

Uma Raposa espiava um bando de perus numa árvore. Ela planejou chamar suas atenções e então correu para a árvore, fingindo escalá-la, caminhando nas suas patas estendidas, fazendo todos os tipos de truques. Cheios de medo, os Perus assistiam todos os seus movimentos, até que ficaram tão atordoados que um por um, foram caindo de seus galhos seguros e sendo apanhados pela esperta raposa.

Moral:
"Por muita atenção ao perigo, podemos cair como vítimas dele!".

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

147ª - A Raposa e o Tigre


Daemonium vendit, qui daemonium prius emit


Quem diabos compra, diabos vende

147ª - A Raposa e o Tigre

Um hábil Arqueiro entrou nos bosques, dirigiu suas setas tão acertadamente que matou muitas feras selvagens e seguiu procurando por várias outras. Isto colocou o mundo selvagem numa consternação medrosa, fazendo todos correr para as moitas mais afastadas na busca de refúgio. Por fim, o Tigre se tomou de coragem e licitando a todos não terem nenhum medo, disse que ele sozinho enfrentaria o inimigo; dizendo que todos poderiam contar com seu valor e sua força para vingar as injustiças.

No meio destas ameaças, enquanto ele estava chicoteando com o seu rabo e arranhando o chão para demonstrar sua ira, uma seta perfurou as suas costelas, ferindo seu ponto mais fraco, o seu lado. Ele soltou um rugido horroroso e alto, ocasionado pela angústia que sentia e empreendeu tirar o dardo doloroso com seus dentes; quando a Raposa, chegando perto, indagou com um ar de surpresa: "Quem é esse que pode ter força e coragem bastante para ferir uma fera tão selvagem?" - "Ah!" disse o Tigre, "eu estava enganado: este homem é invencível!”.

Moral:

"Sempre há alguma parte vulnerável na armadura mais forte".


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

146ª - A Raposa e o Leopardo

Habitus non facit monachum
O hábito não faz o monge


Bom princípio de semana a todos! A fábula de hoje aponta o conhecido ditado: "O hábito não faz o monge!". Até amanhã...


146ª - A Raposa e o Leopardo

A Raposa e o Leopardo disputavam quem era o mais bonito dos dois. O Leopardo exibiu as várias manchas que decoravam a sua pele, uma por uma. Mas a Raposa interrompendo-o disse: “E quanto mais bonita sou eu, enfeitada não no corpo, mas na mente?".

Moral:

“As pessoas não são julgadas pelo seu casaco".

sábado, 28 de novembro de 2009

145ª - A Raposa e o Macaco - " OVNI's "

Magna venit nulli sine magno fama labore
Não se ganha boa fama em cama de penas

Bom dia amigos! Ótimo início de fim de semana a todos. A fábula de hoje, nos mostra que liderança e majestade não se conquistam por atuações lúdicas¹ ou macaquices. São frutos de longas e exaustivas práticas do desempenhar bem seu papel de liderança. Ótima lição!

¹ adj.relativo a jogo, a brinquedo - que visa mais ao divertimento que a qualquer outro objetivo.

A prosa de hoje relatará uma experiência vivida e que marcou profundamente os conceitos de 'vida'. ESSES OLHOS VIRAM...

...numa noite fria, sete de julho de 1976. Como a data é tão lembrada? Simples: dois dias antes do meu casamento. Os últimos retoques no apartamento em que viríamos residir. Minha mãe foi comigo colocar as cortinas e ajeitar as compras que havíamos feito durante o dia. Instalei algumas luminárias e o chuveiro elétrico, aquele modelo ‘chaleirão’, pois o frio de nossa região não cederia às duchas então existentes. Esta montagem demandou mais tempo que o imaginado, pois até ligar o fio terra, era chegado 22.00 horas. Damos o trabalho por adiantado e fomos para casa, distante quatro quadras. A noite estava limpa e o céu cheio de estrelas. Sem lua. Ao chegarmos abri o portão de acesso à subida até o lado da casa, algo como 20 metros. Após subir, sai do carro e retornei o caminho para fechar o portão. Voltando, no meio do trajeto, reparei minha mãe quieta e olhando acima das copas de vários pinheiros plantados bem no centro do terreno. O escuro destas copas se destacava nitidamente da claridade do céu, salientando o brilho das estrelas. Numa linha imaginária, desde as copas dos pinheiros, rumo ao zênite da abóbada espacial, a meio caminho entre o nadir (ponto vertical aos pés do observador) e o clímax (culminância do espaço sideral), estavam eles. Eram vários,

Começamos assim este relato. Sou engenheiro, tenho uma cultura razoável. Sempre fui reticente aos relatos sobre UFO’s ou OVNI’s e muito mais sobre as descrições de abduções ou resgates por extraterrestres. O que vimos nos surpreendeu demais. Nunca iria acontecer conosco este fato. Mas estava acontecendo!

Executavam um bailado silencioso, como peixes de um cardume, movimentos coreografados, ora em balanços, ora em circunscrições. Trocavam de cores e lugares, variando do violeta ao laranja, do amarelo ao vermelho. Ficamos ali paralisados por um breve tempo, quando consegui dizer: ‘Mãe, olhe bem isto!’, como recomendando: “Grave na retina!”.

Lembro que no momento comparei-os com lentilhas. No céu, eram pouco maiores que a Estrela Vésper (Vênus) quando surge na linha do horizonte.

Como num balé, deram uma volta, enfileiraram-se e sem ruído algum, em velocidade impensável, mergulharam rumo à abóbada, sumindo simplesmente.

Entramos em casa calados e algo transtornados. Contamos a vários presentes, com uma única certeza: éramos testemunhas um do outro. Não recordo a reação geral, apenas que alguém saiu para o pátio conferir. Como aconteceu, foi esquecido! Hoje recordo o fato e de como passei a ser menos descrente.


145ª - A Raposa e o Macaco

Com o falecimento do Leão, as feras da floresta se reuniram para escolher um novo rei. O macaco fez tantas caretas, cambalhotas e truques de artimanha que foi eleito por uma grande maioria; a coroa foi colocada na sua cabeça. A Raposa, invejosa desta distinção, vendo logo em seguida, uma armadilha com um pedaço de carne como isca, chegou-se ao novo rei e disse com falsa humildade: "Para agradar sua majestade, achei em seus domínios um tesouro para o qual, se Vossa Majestade conceder a honra de acompanhar-me, eu o levarei". Chegados à armadilha, o Macaco pôs a mão no pedaço de carne e esta, apanhou-o pelos dedos. Furioso com vergonha e a dor, ele repreendeu a Raposa chamando-a de falsa, ladra e uma traidora. A Raposa riu cordialmente e disse com uma zombaria:

"Você é um rei e não entende armadilhas?"

Moral:

"Não se ganha magestade por força da imitação".