terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mestieri: sarto - 8


Garibaldi - 1917
Absorto enquanto tomava as medidas para a confecção de mais uma ‘fatiota’ para o Sr. Clodoveu, Gennaro estava com a mente longe. Via-se ainda moleque.
Garibaldi - 1900
Trabalhava muito na colônia para ajudar o pai. Acordava às cinco horas da manhã, inverno ou verão. Era dentre os irmãos, o responsável por tirar o leite das vacas e ajudar a mãe em algumas tarefas. Mesmo assim, conseguia brincar um pouco. De pé no chão – quando o tempo estava quente - correndo pelo meio do mato ou - quando frio e chuvoso - fazendo cestos de vime no celeiro que o pai insistia chamar de 'granaio'. As sete horas, ia para a escola com as irmãs mais velhas. Caminhavam quilômetros para chegar ao colégio da congregação de São José.
Quando retornavam, trocava de roupa em casa e ia direto para a lida com o pai. E aí, era o trabalho de lavoura, do arar, dos milharais, dos parreirais, das podas e cuidados da horta, até o anoitecer.
Garibaldi - 1900
Anotando as medidas cuidadosamente em seu bloco, nem reparava o quanto seu amigo e cliente havia engordado. Era daqueles dias em que vinham à sua recordação de onde surgira seu nome, quais datas a zelar, meditar e orar pela família na Itália - como o pai lhe ensinara -, com os préstimos obtidos pelo sangue liquefeito do mártir.
Itália - 1875
Seu pai Antonio vindo da península, assim como o seu Bartholomeu, pai do Clodoveu, dizia:
‘Tre volte l'anno (il sabato precedente la prima domenica di maggio e negli otto giorni successivi; il 19 settembre e per tutta l'ottava delle celebrazioni in onore del patrono, ed il 16 dicembre), durante una solenne cerimonia religiosa guidata dall'arcivescovo, gli fedeli accorrono per assistere al miracolo della liquefazione del sangue di San Gennaro ‘
A nona – avó paterna - que ficara com o nono – avô paterno - em Quingentole -Mantova, era natural de Napoles e profunda devota do padroeiro da cidade. O pai batizara-o para homenageá-la. Antonio e Bartholomeu vieram ao Brasil ainda crianças. Seus pais viram os trabalhos de seus barcos-moinhos, restringidos ao máximo pelo governo italiano. Havia o risco de assoreamento total no leito do rio Pó, dado o volume de cascas dos cereais ali jogadas. O Brasil surgiu como salvação.
To be continued

2 comentários:

Josete Lima disse...

Eu conheci o sr Luiz Zamboni e sua esposa dona Irene se não me falha a memória, em 1960 meu tio era vizinho dele Dorival Lima,sempre ia conversar com sr Zamboni,Isso já fazem 52 anos, Nunca esqueci aquele casal tão simpático. sinto saudade daquela época!

Josete Lima disse...

Gostaria e saber notícias da filha do sr Luiz Zamboni Maria da graça. obrigada!